CACHAÇA DO NORDESTE: MUCAMBO E MARIA BOA! PARA CONHECER E APRECIAR!!!

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     O que poderia ter em comum um esconderijo de escravos fugitivos e um famoso bordel frequentados por soldados da segunda guerra, além de políticos e membros da alta sociedade? Simples. Parte da história saborosa de um Brasil que só cabe mesmo em rótulos de cachaça. Cachaça boa, claro. E a contribuição, neste caso, vem da cidade de Goianinha, localizada há quase 60 km de distância de Natal, no Rio Grande do Norte.

      As cachaças Mucambo e Maria Boa são a realização do sonho da família Araújo Lima, que já no século passado lidava com a cachaça e com os engenhos de cana-de-açúcar. O progresso da década de 60 atropelou os planos da família. As usinas de açúcar se instalaram e a cachaça Sucuru, que era até então uma das marcas de Goianinha, deixou de ser produzida. As prateleiras voltaram a ser privilegiada em 2003, quando Frederico Luiz de Araújo Lima botou de novo as rodas para funcionar. O resultado são 20 mil litros da cachaça Mucambo e 60 mil litros da aria Boa saindo do alambique todos os meses. O destino: todo país.   Mas é mais fácil encontrar em grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais (claro), além de todo nordeste brasileiro. Nos sites especializados, fizemos uma rápida busca, mas sem grande sucesso.
   

A Cachaça Mucambo é armazenada em tonéis de Amburana, madeira de origem brasileira que abaixa a acidez da cachaça, diminui o teor alcoólico, deixando a bebida com uma coloração amarela clara e com um aroma levemente adocicado. O nome Mucambo foi escolhido, segundo a família, em homenagem à resistência dos escravos que fugiam dos senhores e dos pesados castigos. As casas rudimentares construídas por eles no meio da mata, com cipó e madeira tinham este nome. Como se sabe a cachaça tem raiz histórica fincada nas senzalas que se espalharam por todo Brasil colonial. De personalidade forte, a Mucambo deu mostras de que merece lugar de destaque nas prateleiras de colecionadores e, principalmente, de apreciadores, ao conquistar em 2007, o título de melhor cachaça armazenada em Amburana, na Expominas daquele ano. Nada mal para quem só tinha na época, quatro anos de vida!
 

 A Maria Boa bem poderia estar nas páginas da deliciosa literatura de Jorge Amado. O nome é uma referência à mulher-dama que agradava oficiais americanos da segunda Guerra Mundial, que aportaram por aqui. Tanto agrado deu a ela o título de musa da aviação. Chegou a ter o nome grafado em um B52. Conta-se que políticos e membros da alta sociedade conheceram os segredos de alcova da mulher, que era desejada por muitos, mas conhecida em seus mistérios por um grupo muito seleto. Talvez esteja aí o segredo do rótulo que só é impresso em 60 mil garrafas por mês. Um desejo que se desperta em experimentar a cachaça armazenada em Pau Amarelo Cetim, uma árvore ainda desconhecida para o envelhecimento da cachaça. A ousadia garante à bebida uma cor amarelo-claro e um buquê extremamente agradável, que vale a degustação.

Pura ou no drink?

     A cachaça por si só, já tem seu sabor garantido no carinho do produtor, que a envelhece em madeiras especiais para serem escolhidas cada uma a seu gosto. Pedimos uma sugestão ao fabricante da Mucambo e da Maria Boa e veio, direto do riquíssimo receituário nordestino a sugestão da “Meladinha”, feita com mel de abelha, limão e gelo. Para nos aprofundarmos um pouco mais no assunto, fui buscar auxílio no site: www.rainhasdolar.com.br, que diz o seguinte: “Meladinha é cachaça, mel de abelha, alho, cebola branca, losna, salsa, hortelã grosso e erva-doce. Há quem acrescente assa fétida. É bebida de mulher parida, sendo servida como aperitivo.”
     Bom, eu prefiro ela purinha, mas fique a vontade para brindar ao nosso delicioso nordeste brasileiro!
   
Serviço:

Procurei os preços das cachaça Mucambo e Maria Boa e não encontrei nos sites especializados. Sugiro uma consulta à página dos produtores no Facebook: http://www.facebook.com/cachacamucambo.araujolima?fref=ts