MARIA IZABEL: POR TRÁS DE UMA GRANDE CACHAÇA, UMA GRANDE MULHER!!!

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Maria Izabel: a mulher por trás de uma cachaça espetacular

     Vou começar este post dando as indicações para se chegar até à produtora de uma das melhores cachaças que já provei: a Maria Izabel. Chegando ao trevo de Paraty, ande por mais 7 km aproximadamente, pela BR 101, sentido Angra, até o restaurante Chuveirão. Fica bem perto de um radar: cuidado é de 40 km…Um pouquinho adiante, tem uma entradinha ridícula de estrada. É ela. Pegando esta estradinha, você vai andar por mais dois quilômetros (mais ou menos) só então verá indicações para o alambique de Maria Izabel. Se você não entendeu, não tem problema. Ligue para o celular dela e ela te explica melhor. Sim. Ela mesma vai atender. É ela quem cuida de tudo. Atende visitantes, promove degustações, vende as cachaças e explica “tim tim por tim tim” como produz uma das cachaças mais premiadas do país.

Maria Izabel: simplicidade de poucos

     Ela não faz muito. São apenas 7,5 mil litros por ano, entre a Azulada (aguardente composta que usa a folha da mexerica para chegar ao tom azulado), a praticamente branca, que é armazenada em tonéis de Jequitibá, a armazenada em Carvalho e as mais envelhecidas, como uma de três anos no Carvalho e a Reserva Especial,. Esta duas últimas, você só vai encontrar por lá.

Sítio Santo Antônio: refúgio de Maria Izabel

     Chegamos ao sítio de Maria Izabel, sem precisar de melhores orientações. Apenas o que já conhecíamos. Encontramos um lugar “Paratysíaco” (como brincou Eric Oliveira, da Solution Comercial. Assíduo frequentador). Às 11h30 da manhã de uma sexta-feira, ela atendia a um grupo de jovens do Rio de Janeiro e explicava pacientemente cada etapa da produção. Estava trabalhando desde às 6h30, como faz todos os dias. Minha primeira pergunta? Que cana você utiliza? Ela me olhou bem e disse: a “sacana”, provocando risos do grupo, sem esconder que plana no morro, como indica o manual da boa cachaça. Assim é Maria Izabel. Energia pura e conversa convidativa.

Produtora, vendedora, palestrante e executiva de vendas: Maria Izabel

     E por falar em convite, ela nos leva a uma mesa que fica permanentemente montada. Novos grupos vão chegando e se juntando àquela mesa. O espaço vai ficando mais agradável e a conversa ainda mais. Maria Izabel nos oferece uma dose de cada uma das cachaças que produz. É o que faz todos os dias. Se você você vai apenas experimentar a cachaça, ela cobra R$ 10,00 por pessoa. Mas um alerta: não vá até lá de carteira vazia porque do contrário, precisará fazer uma nova viagem até o alambique.

Maria Izabel: só bebo cachaça se for boa

     Maria Izabel não é novata no mundo da cachaça. Seu rótulo já é produzido há 17 anos. Muitas destas edições, já apareceram bem em rankings conceituados, como o da revista Playboy. Ela conta que nasceu e cresceu em Paraty. Sempre cercada da riquíssima relação da cidade litorânea com a cachaça. Soube que gerações anteriores da família dela produziram uma cachaça muito boa lá pelos idos do século XVIII. Afirma que nunca provou a cachaça enquanto criança. Hoje perguntada se gosta da bebida, responde rápido: “só tomo se for muito boa”, arrancando mais risos da plateia, que entre um telefonema e outro, só cresce.

Maria Izabel: uma rede social em corpo e alma…

     Um dos degustadores elogia o rótulo.  A produtora lembra que ganhou de presente. Foi Liz Calder, organizadora da FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty) quem deu. Liz contratou o artista australiano Jeff Fisher, que visitou o alambique e observou Maria Izabel. Do olhar atento surgiram elementos da Mata Atlântica, Paraty, seus peixes, pássaros e seus casarões históricos, herança do período colonial. No centro de tudo isso, Maria Izabel, o ícone perfeito para equilibrar cada traço do rótulo sugerido.

Cachaça Maria Izabel: rótulo importado 

     E a opinião não é somente deste jornalista. Alexandre Santos é executivo de vendas no Rio de Janeiro. Usou duas metáforas interessantes para definir as que provou. “A primeira (azulada) é como Che Guevara. forte, sem perder a ternura” a segunda (jequitibá) “desce redondo. Me sinto como se estivesse consumindo um perfume bem suave”. Alexandre conta que promoveu recentemente um evento com cachaça para seus clientes. Usou muitas de Paraty, mas não conhecia a Maria Izabel. “Vou fazer outro”, brincou o executivo!

Alexandre Santos provando a cachaça de Maria Izabel

     O clima descontraído segue entre uma dose e uma sacola. Sim, não há sacolas vazias. É praticamente um pecado deixar o Sítio Santo Antônio sem pelo menos uma garrafa. Alguém pede para provar a Reserva especial. Aquela que não vai para o comércio. Maria Izabel dispara: um dia um cliente esteve aqui e levou uma dessas. Disse que deu uma dose a um amigo que tomava antidepressivo. Desde então o remédio não voltou a ser usado…Mais risos entre os degustadores…Pode ser uma lenda, mas não é difícil que tenha ocorrido!

Maria Izabel: energia da mulher que produz e ensina

     Assim vai o dia de Maria Izabel. Cercada de novos amigos. Se ela fosse uma rede social, sua mesa seria sua comunidade. Uma teia que só faz crescer. Mas a produtora escolhe bem quem será adicionado. Não vai, por exemplo, ao Festival da Cachaça de Paraty. Firme, ela justifica: “tenho uma produção muito pequena”. Mas ela confidencia que não vê o festival como melhor dos expoentes da Cachaça de Paraty. Divorciada, criou seis filhas. Não pergunte a ela sobre a química da cachaça. “Não sei nada sobre isso”. A mulher foi somente até o fim do segundo grau e o que sabe, aprendeu observando. Conta que recebeu a receita do fermento que utiliza de um senhor que pediu segredo sobre a fórmula. É justo. Afinal, que tipo de conhecimento poderia substituir tanta simpatia? Maria Izabel é pura energia. Tem um sorriso simples que cativa logo no primeiro contato. Sabe aquela pessoa que a gente fica louco para encontrar logo alguém para dizer: gente eu conheci uma pessoa incrível!!! Assim é Maria Izabel. Não resta dúvida de que equilibrar esta grande mulher por trás de uma cachaça espetacular, talvez tenha sido a aula mais importante de química que ela tenha frequentado! Saúde Maria Izabel!!!

Quem não gostaria de dizer que conheceu e esteve com Maria Izabel???

MARIA IZABEL DOSE A DOSE

– A Cachaça Ouro de Maria Izabel é da Safra de 2011 – Lá no sítio custa R$ 55,00. O preço é o mesmo para a Série Prata, envelhecida em Jequitibá.

– Há uma envelhecida por cerca de de 3 anos em barris de Carvalho, que custa R$ 80,00. Juntamente com a Reserva Especial, que custa R$ 135,00, só pode ser comprada no sítio. Não é distribuída no comércio.

– Maria Izabel confidencia que não é grudada em computador, mas afirma que lê e responde os e-mails.

Serviço:

Mais sobre Maria Izabel e sua produção de cachaça, pode ser encontrado no site: www.mariaizabel.com.br/